
Queridos amigos,
Hoje, logo pela manhã, tive que me deslocar para uma reunião na Zona Norte de São Paulo. Como a região me é pouco familiar (moro e trabalho na Zona Sul), tomei um taxi. Nos longos (ou talvez insuficientes) 50 minutos de corrida, recebi do taxista uma aula sobre o Batráquio Apedeuta. Gostaria de compartilhá-la com todos vocês.
Disse-me o taxista que quando jovem, sentia grande apreço pelo PT e por Lula (ahhh, nossa juventude inconsequente!!!). E assim, considerou aderir (alienar-se) à militância do promissor partido recém-fundado. A família, preocupada com a situação, convocou o tio do então moçoilo, para uma conversa ao pé do ouvido com ele.
- Querido sobrinho, sabes que foi o braço direito de um poderoso diretor da Volkswagen no final da década se 70, não?
- Sei, sim, titio.
- Pois é... conheci o Lula.
- Nosso guia!!! Nosso messias!!! Nosso salvador!!!
- Não foi essa a impressão que tive à época...
- Como assim, titio?
- Bem, é melhor sentar-se, pois temo que o que lhe contarei irá decepcioná-lo.
- Você está me assustando, titio...
- Então irei direto ao ponto. Sempre que o pessoal da Volkswagen decidia que era hora de cortar funcionários, chamava Lula para "negociar"...

- Nada mais justo. Ele era o Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Um grande líder dos trabalhadores!!!
- Bem... por negociar entenda-se: o "patrão" dizia: Lula, precisamos demitir alguns funcionários. Sabe como é... cortar custos. Mas não podemos fazer isso sem um bom motivo, pois a justiça trabalhista está na nossa cola. Assim, precisamos que você convoque uma greve geral.
E Lula: "moleza, patrão!!! já vou chamar o carro de som e ir para a porta da fábrica!"
O patrão: "aqui está a lista dos que queremos demitir. Garanta que eles aderirão à greve."
Lula: "sem pobrema"

O patrão: "excelente!. Sabíamos que poderíamos contar com seus préstimos. Você foi altamente recomendado pelo Golbery."
De volta ao então jovem taxista:
- Titio, isso não pode ser verdade!!!
- Querido sobrinho. Você me conhece. Não minto.
- Sei que não, titio...
- Mas a história não acabou. Cumprindo o trato, lá ia Lula para a porta da fábrica, convocando os cumpanhêros para a greve. Dedicava especial atenção aos membros da tal lista. Convencia-os com sua lábia a aderir ao protesto. Prometia-lhes uma vida melhor, aumento salarial, enfim, o paraíso. E tem mais...
- Mais? Não vou aguentar...
- Só mais um pouco, querido sobrinho. Vou resumir: a greve era considerada ilegal; a fábrica tinha a liberdade de demitir os "baderneiros" (os da "lista"); missão cumprida; Lula recebia sua recompensa (às vezes em dinheiro - dava prá fazer um afago na galega - às vezes em caixas de bebida - ueba!!!).
- Titio, como me iludi!!! O Calango foi o primeiro pelego do Brasil e nem desconfiei. Estou envergonhado!!!
- Sobrinho, a capacidade de iludir dessa gente não pode ser subestimada. Se eu não tivesse testemunhado tudo isso, talvez eu também teria sido enganado. Mas tem mais...
- Mais, titio??

- Sim, infelizmente não acabou. Aguente mais um pouco. Os demitidos, desesperados, em romaria, procuraram Lula. Pediram a ajuda do supremo sindicalista para recuperar seus empregos. Afinal, fizeram apenas o que o Apedeuta havia lhes pedido. Lula, do alto de sua sabedoria de botequim, respoundeu: "Temos que nos conformar cumpanhêros, pois na guerra, alguns morrem."
- Titio, agora tenho medo, não mais esperança.
E o tio profetizou: "e o pior ainda está por vir. O pelego sonha alto (ou "alto" - pelo efeito da manguaça - sonha).
Pois é, amigos. Confesso que floreei um pouco o relato (risos), mas garanto-lhes que em sua essência, é verdadeiro (bem, talvez não, pois foi o motorista de taxi que me contou). Hoje, estou mais convicta do que nunca: os sonhos de nosso Macunaíma Gump a mais pura representação de nossos piores pesadelos. Devemos nos comformar???